sexta-feira, 29 de março de 2013

LER/DORT

LER/DORT, sigla para Lesões por Esforços Repetitivos (LER), ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) é uma doença ocupacional responsável pela maioria dos afastamentos em empresas do país. Em entrevista com a médica, pesquisadora da Fundacentro e co-autora do Protocolo de LER do Ministério da Saúde, Maria Maeno, fala sobre essa síndrome: 

Dra. Maria Maeno - Sempre é melhor prevenir qualquer doença. Mas se não conseguirmos prevenir a ocorrência de uma doença, temos que nos esforçar para prevenir agravamentos e repercussões sobre a vida da pessoa, seja no aspecto pessoal seja no aspecto profissional.

Quais são os profissionais com maior risco de ter a doença?

Um estudo da Previdência Social concluiu que centenas de ramos econômicos são relacionados com os transtornos musculoesqueléticos, dentre os quais as LER/DORT. Esse estudo resultou numa decisão importante da Previdência Social, que por meio de uma mudança legal, acrescentou o critério epidemiológico para estabelecer o nexo causal entre um adoecimento e o trabalho. Essa mudança, em vigor desde 2007, teve um papel importante para diminuir a subnotificação das doenças ocupacionais. Muitos estudos envolvem bancários, caixas, operadores de teleatendimento, montadores, embaladores, profissionais de saúde, professores, etc.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas são dor, formigamento, dormência, choque, fadiga. Inicialmente aparecem esporadicamente durante a jornada de trabalho, depois duram toda a jornada, depois invadem os momentos de lazer e repouso, finais de semana, férias, até se tornarem crônicos.

E o que o trabalhador deve fazer ao perceber que está com alguns desses sintomas?

Os trabalhadores com sintomas devem procurar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e também os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador de sua região, que poderão orientá-los quanto à rede de tratamento. Em todas as regiões do país há um Centro de Referência em Saúde do Trabalhador.

Como o Brasil encara atualmente a LER/DORT? Há uma conscientização da sociedade?

Eu pergunto: como a sociedade vê as doenças relacionadas ao trabalho? Algumas convicções são muito fortes na população e são fomentadas por determinados segmentos sociais. Uma delas é a de que quem quer ter saúde tem. Daí, as campanhas para a alimentação balanceada, para os exercícios físicos. Não hã divergências sobre os benefícios de uma alimentação balanceada. A questão é: como é que a maioria população pode ter acesso a essa alimentação balanceada? O mesmo digo para os exercícios físicos. É preciso também que as pessoas tenham acesso efetivo. No mundo do trabalho não se tem autonomia para trabalhar num ritmo adequado, ou de maneira diferente, além dos trabalhadores serem pressionados para atingir metas inalcançáveis. Portanto, o poder de não adoecer não está nas mãos do trabalhador e sim nas da empresa. Outra convicção forte é a de que algumas doenças são inerentes a determinadas funções e isso não deveria ser aceito pela sociedade

E a outra convicção é a de que, sendo informado ou capacitado ou treinado, pode-se evitar as doenças. Os trabalhadores podem ser informados e capacitados, mas as exigências do trabalho acabam fazendo-o adoecer. Assim, o objeto das ações do poder público deve ser o das condições e da organização do trabalho e não na capacidade individual de resistir ao adoecimento.

O Ministério da Saúde determinou que 11 agravos ocupacionais são de notificação compulsória ao Sistema de Informação dos Agravos de Notificação (SINAN), assim como outras tradicionalmente notificadas: sarampo, tétano, coqueluche, meningite, etc. Para isso publicou protocolos de diagnóstico e notificação. A Fundacentro fez um vídeo que informa sobre procedimentos para notificação ao SINAN, que ficará no portal da instituição. O Ministério do Trabalho e Emprego publicou normas referentes aos caixas e teleatendimento. Essas são algumas das ações positivas do poder público. 

Fonte: Blog do Trabalho

Projetos para acesso a água potável no mundo.


Em 1993, a Assembleia Geral das Nações Unidas definiu o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água. Desde então, a data é um estímulo à realização de atividades concretas em diversos países, com o objetivo de difundir a importância desse recurso e as formas de conservá-lo.
Este ano, a ONU-Água encarregou a UNESCO de organizar os preparativos para a data, cujo tema deste ano é “Cooperação na Esfera da Água”, representando a importância da união entre os países para enfrentar os desafios do aumento da demanda por esse recurso, sua justa distribuição e saneamento.
Em concordância com o tema, listamos abaixo quatro projetos bem-sucedidos, que há vários anos trabalham para fornecer água potável para a populações de regiões carentes.

Fundada em 2008, em Oklahoma, Estados Unidos, essa instituição visa facilitar o acesso à água potável em zonas de risco e regiões empobrecidas por meio de uma tecnologia de baixa complexidade e custo. Ela consiste em uma bomba manual de extração de água que é instalada em poços artesanais, denominada Access 1.2 (uma referência ao número de pessoas – 1,2 milhão – que não têm acesso à água potável no mundo).
A Water4 também transfere o conhecimento, ensinando a população local a usar, fabricar e instalar as bombas com materiais que fácil obtenção. Dessa maneira, é possível melhorar a qualidade da água, aumentar a autonomia e ainda gerar uma fonte de renda para a população da região assistida.
Desde sua criação, a Water4 já ajudou mais de 150 mil pessoas em 30 países, como Haiti, Serra Leoa, Uganda, Nicarágua e Ruanda. Para continuar com o trabalho, a instituição aceita contribuições particulares.

Charity:Water
Esta organização sem fins lucrativos se propõe a levar água limpa a regiões carentes localizadas em países subdesenvolvidos. Para isso, criou uma série de tecnologias que são adaptadas às necessidades locais. Por exemplo, em regiões onde não existe água subterrânea, a Charity:Water ajuda a instalar sistemas de coleta de água da chuva e filtros biológicos de areia; já nos locais onde o lençol freático está perto da superfície, voluntários escavam poços manualmente para viabilizar o acesso à água.
A Charity:Water sustenta seu trabalho com contribuições públicas de diversas fontes: doações diretas, patrocínio de projetos em comunidades, escolas ou centros de saúde, e venda de produtos.
Outra iniciativa engenhosa é sugerir aos apoiadores que renunciem a seus presentes de aniversário, pedindo em seu lugar que amigos e parentes doem uma pequena quantia para a Charity: Water. Em 2011, a ação ganhou visibilidade com a participação do astro pop Justin Bieber.

Water.org

A missão da ONG fundada pelo ator Matt Damon e por Gary White é levar água potável a centenas de comunidades na África, Ásia, América do Sul e América Central, facilitando o acesso e o saneamento básico em regiões carentes.
A Water.org trabalha com parceiros locais para oferecer soluções inovadoras de acordo com as necessidades de cada comunidade. Assim como a Water4, um de seus fundamentos é transmitir conhecimentos. Por esse motivo, a tecnologia aplicada em uma comunidade específica é definida meio de um estudo, que indica a melhor opção; a manutenção de longo prazo é realizada pela população local.
A ONG implementa diferentes projetos em todo o mundo, inclusive em países da América Latina, Haiti, El Salvador, Holduras e Guatemala. Todos são sustentados por doações, venda de produtos e apoio de novos membros da equipe.

Energía sin fronteras

Sob o lema “Energia e água para o desenvolvimento”, essa organização espanhola instala sistemas de eletrificação, captação, tratamento e abastecimento de água potável em comunidades rurais isoladas na África Subsaariana, América Central e regiões andinas.
Atualmente, mais de 22 mil pessoas em dez países são beneficiadas por mais de vinte e cinco projetos de fornecimento de água potável e eletricidade, implementados pela ONG desde 2004, em parte graças a doações dos Amigos da Energía Sin Fronteras e ao trabalho de voluntários.
Fonte: TreeHugger Brasil

Qual é sua opinião sobre o trabalho dessas instituições? Escreva seus comentários abaixo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Reciclagem do Lixo

LIXO ELETRÔNICO é todo resíduo material produzido pelo descarte de equipamentos eletrônicos. Com o elevado uso de equipamentos eletrônicos no mundo moderno, este tipo de lixo tem se tornado um grande problema ambiental quando não descartado em locais adequados. 


Exemplos de lixo eletrônico: 

- Monitores de Computadores
- Telefones Celulares e baterias
- Computadores
- Televisores
- Câmeras Fotográficas
- Impressoras

Problemas causados pelo descarte inadequado

- Este descarte é feito quando o equipamento apresenta defeito ou se torna obsoleto (ultrapassado). O problema ocorre quando este material é descartado no meio ambiente. Como estes equipamentos possuem substâncias químicas (chumbo, cádmio, mercúrio, berílio, etc.) em suas composições, podem provocar contaminação de solo e água. 

- Além do contaminar o meio ambiente, estas substâncias químicas podem provocar doenças graves em pessoas que coletam produtos em lixões, terrenos baldios ou na rua. 

- Estes equipamentos são compostos também por grande quantidade de plástico, metais e vidro. Estes materiais demoram muito tempo para se decompor no solo. 

Onde Jogar? Descarte correto.

Segue lista de locais de descarte de lixo eletrônico em diversos estados do Brasil:

    ESTADO                                      ONG                                      SITE
Rio de Janeiro                Instituto Geração da Hora-Fábrica Verde    geracaodahora.org.br/
Pernambuco/Recife      Pernambuco Verde                                          pernambucoverde.com.br/
Paraíba                           RCTEC - Resíduos Eletrônicos                      rctecresiduos.com.br/ 
Bahia                              Programa Onda Digital                                   wiki.dcc.ufba.br/OndaDigital
Minas Gerais                CRC BH Digital                                                E-mail: crc.bhdigital@pbh.gov.br
Rio Grande do Sul       Cesmar                                                              maristas.org.br
Distrito Federal           CRC Gama                                                        crcgamadf.org.br
São Paulo                     Instituto Sergio Motta e Secretaria             e-lixo.org
                                      Estadual do Meio Ambiente
Diversos Estados       Central de Reciclagem                                  centraldareciclagem.org/


Você sabia? 

- Cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados por ano no mundo.

- Entre os países emergentes, o Brasil é o país que mais gera lixo eletrônico.

- A cada ano o Brasil descarta: cerca de 97 mil toneladas métricas de computadores; 2,2 mil toneladas de celulares; 17,2 mil toneladas de impressoras. 
Fonte: Pnuma - Programa da ONU para o Meio Ambiente.




domingo, 3 de fevereiro de 2013

Fiscalizações severas em casas noturnas

A tragédia em Santa Maria que matou mais de 230 pessoas em um incêndio na Boate Kiss chocou e sensibilizou pessoas do mundo inteiro. E levantou questionamentos quanto ao funcionamento e às leis que regulam casas noturnas de todo o Brasil. Como consequência, as administrações de várias capitais dos estados anunciaram medidas para apertar o cerco a esses estabelecimentos comerciais e, assim, evitar que o incidente se repita. 

Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad determinou que a secretaria de Licenciamentos confronte a legislação pertinente aos chamados locais de reunião para mais de 500 pessoas e o sistema de fiscalização do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). No ano passado, cerca de 500 imóveis para esse tipo de funcionamento foram licenciados no município.

Principal bairro da boêmia de Porto Alegre (RS), a Cidade Baixa foi a região da cidade escolhida para a primeira ação da força-tarefa constituída para incrementar a fiscalização de casas noturnas e de entretenimento. Desde janeiro de 2005, está em vigor resolução municipal que proíbe o uso de artigos pirotécnicos, fogos de artifício e produtos similares em casas noturnas e casas de espetáculos no município. Hoje, uma força tarefa faz vistoria de caráter emergencial, com prioridade para as casas maiores e aquelas que podem oferecer maior potencial de risco.

Na capital de Santa Catarina, a prefeitura será parceira do Ministério Público do Estado na fiscalização do cumprimento de normas de segurança e prevenção a incêndios das casas noturnas da cidade. Um dia após a tragédia, o promotor de Justiça da coordenadoria de Direitos Humanos, Daniel Paladino, anunciou a instauração de um inquérito civil público para investigar o funcionamento de todas as casas noturnas de Florianópolis. O prefeito Cesar Souza Júnior também determinou que seja intensificada a fiscalização nos estabelecimentos, a começar pelas que possuem maior capacidade de público. Foi solicitado ainda um estudo na legislação municipal que trata sobre o tema para verificar se ela está de acordo com as mais modernas normas de segurança.

A fiscalização ficará mais rígida com relação a ambientes físicos, saídas de emergência, prevenção e combate a incêndios e lotação máxima permitida de casas noturnas, bares e restaurantes de Curitiba (PR). A cidade tem em torno de 15 mil estabelecimentos comerciais, dos quais 8 mil estão regulares segundo a prefeitura, que ressalta também que há imóveis que funcionam com liminares e mandados de seguranças. A intenção é criar uma comissão municipal para estudar melhorias na liberação de alvarás de funcionamento e reativar o fortalecimento da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu), que congrega membros dos diversos órgãos da cidade envolvidos na fiscalização de estabelecimentos comerciais.

Como sempre no Brasil, as medidas de segurança só ocorrem quando uma tragédia acontece. Esperamos que essas fiscalizações mais severas  sejam feitas sempre, em todo o Brasil, e não só agora por estar na mídia a tragédia em Santa Maria. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Prevenção Eficaz

Um dos assuntos da moda é falar sobre eficiência e eficácia. De nossa parte torcemos para que o modismo sirva para que as pessoas entendam a importância de assimilar e por em prática estes conceitos e muito especialmente a relação viva entre os dois - afinal de contas é para isso que servem as idéias e as teorias e os profissionais não devem ficar alheios ao benefícios que algumas delas podem trazer – embora todos saibamos que algumas delas não são mais do que novos sócios do velho clube dos invencionismos que assim como surgem do nada logo desaparecem na mesma direção.

No caso especifico da questão eficiência e eficácia para nossa área este entendimento é essencial e muitos de nossos colegas deveriam analisar com imparcialidade “a quantas anda” em sua atividade profissional e especialmente nas organizações onde atuam. Isso as vezes fica meio esquecido quando trabalhamos em uma área que tem por detrás uma norma que garante a existência do profissional – mas lembrem que a existência daquela vaga não quer dizer que ela seja sua para sempre. As estruturas das organizações estão cada vez mais enxutas e com certeza as pessoas que “consegue resultados” vão ganhando espaços.

Há algum tempo ser chamando de eficiente era o máximo dos elogios. Ser eficiente é ter a capacidade de fazer certo e bem feito. Então alguém que é capaz de cumprir as formalidades é eficiente. Assim um prevencionista que é capaz de fazer um programa de segurança dentro dos parâmetros da norma é um profissional eficiente. De uns tempos para cá não basta mais ser eficiente é preciso ser também ser eficaz. 

Ser eficaz e ter a capacidade de usar a eficiência para cumprir a missão. Não basta então apenas SABER FAZER – ser eficiente – é preciso alcançar a missão – ser eficaz. Não basta ser bom chute, tem que fazer gol.

Resumindo - Eficiência é fazer alguma coisa certa, correta, sem muitos erros. Eficácia é fazer algum trabalho que atinja plenamente um resultado que se espera. É fazer "a coisa certa" , ou seja , a coisa que leveao resultado almejado.

E ai começa o problema – não só de nossa área como de muitas outras. 
A primeira parte dele diz respeito a não sabermos com clareza qual a nossa missão. Isso precisa ser bem entendido dentro da organização. Há muita confusão sobre este assunto. Isso leva que se gaste muita energia com pouca direção e geralmente está por detrás das relações onde os SESMT tem certeza que trabalham muito e ao mesmo tempo tem pouco reconhecimento.

E é muito interessante escrever sobre isso ainda mais por sabermos que em cada organização se espera do SESMT posicionamentos e ações diferentes, algo que venha se ajustar a cultura daquela empresa e por isso seja mais útil. E preciso ser eficiente na direção certa – com uma direção definida =- eis ai um bom começo para a eficácia.

Um exemplo muito interessante para esclarecer o assunto diz respeito a perfuração de um poço artesiano. Eficiência é cavar com perfeição técnica, eficácia é encontrar água. E não é difícil estender este entendimento para a realidade de nossa área onde a eficiência pode estar associada ao cumprimento da legislação mas a eficácia aos resultados práticos que este cumprimente deve obter. Isso na pratica quer dizer que boa parte de nossa gente fica mais atenta a ser simplesmente eficiente esquecendo que isso deve gerar resultados. Em tempos atuais não gerar resultados práticos é algo que pode ser fator decisivo para que alguém tão eficiente quanto você venha substitui-lo levando em conta a necessidade da eficácia.

Bons programas de segurança, procedimentos bem escritos e práticos, inspeções de segurança bem ajustadas entre outras coisas demonstram a eficiência do profissional – mas se não se capazes de atingir os resultados aos quais se propõem certamente estão muito distantes de serem eficazes. Fica claro que olhar para os RESULTADOS faz então parte da conduta da área ou do profissional que deseja estar inserido no conceito de eficaz. E este olhar para o resultado passa distante de apenas buscarmos culpados “externos” – antes – passa pela reflexão bastante detalhada da qualidade do que fazemos, da forma com que fazemos – e especialmente se isso tudo é compatível com aquilo que esperam de nosso trabalho.

Para as organizações o que interessa na verdade são profissionais que sejam capazes de a partir de sua eficiência garantir a eficácia e isso pode querer dizer muitas coisas já que nem sempre os “eficientes” programas permitem chegar a eficácia. Por isso cabe aqui a pergunta principal: sua eficiência tem cooperado para a eficácia ? 

Pouca gente se dá a este trabalho de questionar e se trancam dentro e a partir de velhos conceitos e alguns até dizem que sempre foi assim e não há nada a ser mudado. Parecem esquecer que mesmo que em velocidades diferentes tudo tende e evolução e que diante desta realidade devemos estar prontos e mais do que isso aptos e preparados para fazer frente as novas necessidades. No caso especifico da área de prevenção os erros conceituais do passado – entre eles a postura do SESMT dono da prevenção – perde espaço rapidamente para o SESMT que seja capaz de planejar a prevenção a partir de todos os gestores. De uma forma bem rude é preciso entender que o profissional que antes usava o apito para interromper o trabalho inseguro deveria hoje saber planejar o uso do apito pelas outras áreas, ate porque embora o “método do apito” se e algum momento foi eficiente – com certa raras vezes foi de fato eficaz.

Os modelos mudaram e estão mudando – e isso ocorre porque as organizações começam a buscar na eficácia um caminho para a sobrevivência.

Use sua eficiência para pensar em eficácia. Dedique um tempo para entender qual a sua missão e trabalhar para ir na direção dela. 

O que você faz vai ser muito importante se for capaz de alcançar os resultados esperados.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.
Técnico de Segurança do Trabalho

domingo, 20 de janeiro de 2013

Guia de Análise de Acidentes do Trabalho

O objetivo deste Guia é apoiar profissionais de segurança e saúde no trabalho, na análise de acidentes do trabalho e outros eventos adversos.
São apresentadas bases conceituais e metodológicas necessárias para a compreensão dos eventos acidentários. Também são apresentados aspectos relativos à prevenção e à gestão de segurança e saúde no trabalho. 
A maioria dos eventos adversos é previsível e prevenível e, ao contrário de constituir obra do acaso, como sugere a palavra “acidente”, são fenômenos socialmente determinados, relacionados a fatores de risco presentes nos sistemas de produção. O conhecimento derivado da sua análise amplia as possibilidades de prevenção.
Essa publicação foi elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2010, com a colaboração dos instrutores do Curso de Análise de Acidentes de Trabalho do Projeto Sirena – Sistema de Referência em Análise de Acidentes de Trabalho, coordenados pelos Auditores -Fiscais do Trabalho Ivone Corgosinho Baumecker, Mauro de Andrade Khouri e Viviane de Jesus Forte.
Esse guia está disponível no site do MTE, abaixo segue o link da publicação onde se pode fazer o download do material.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

COMO ESCREVER PROCEDIMENTOS


Uma das tarefas mais comuns executadas pelos profissionais do SESMT é escrever procedimentos. Isso na verdade é quase uma atribuição visto que a legislação determina que cabe ao empregador informar os riscos e emitir ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho e este – nas empresas onde existem profissionais de segurança e saúde do trabalho – vale-se do mesmo para a elaboração dos procedimentos.

Quem atua diretamente na área de prevenção de acidentes sabe da importância dos procedimentos. Na verdade a maior parte da cultura prevencionista brasileira veio destes documentos – escritos ao longo dos anos nos mais diversos locais de trabalho e que pouco a pouco vieram ganhando espaço e alguns deles até mesmo servindo como base para as normas oficiais e técnicas. 

Tempos depois com a chegada da “onda da qualidade” o escrever procedimentos tornou-se uma febre que muitas vezes tendenciou ao exagero. Equivocadamente muitas empresas entenderam que escrevendo estariam atendendo as normas ou pelo menos os auditores. Recentemente um dos órgãos responsáveis por uma destas normas alterou substancialmente o sentido da norma e dentre os objetivos – para esta mudança – certamente o coibir o excesso de papel e valorizar a prática – foi levado em conta.

Atualmente, com o despertar para os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde – temos visto ocorrer a mesma coisa em muitas empresas. Isso sem falarmos na fobia pela obtenção de evidências documentais que ao longo da última década fez com que pilhas e mais pilhas de documentos (procedimentos, instruções, autorizações, etc) fossem sendo desenvolvidos e emitidos pelos SESMT. Entendo, que se por um lado isso contribuiu de alguma forma para formação de conhecimento em nossa área, ao mesmo tempo, tornou-a também um tanto quanto burocrática demais e assim um pouco mais distante da sua real finalidade. Como em tudo na vida – buscar a dose certa parece ser recomendável. 

Com este artigo tencionamos fornecer linhas básicas que permitam ao colega de prevenção desenvolver procedimentos de uma forma mais padronizada. Para isso primeiro precisamos entender o que é um procedimento de segurança, ou seja – PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA É UMA SÉRIE DE AÇÕES QUE DEVEM SER SEGUIDAS PARA REALIZAR UMA ATIVIDADE DE TAL FORMA QUE ESTA NÃO CAUSE DANOS AO SEU EXECUTOR OU A TERCEIROS 

Um ponto essencial a ser observado com relação aos procedimentos é saber se de fato há necessidade de que ele seja escrito. Parece obvio, mas não é. Em muitos lugares de trabalho é comum observarmos aquelas rechonchudas pastas que servem não mais do que objetos de decoração. Precisamos levar em conta algumas coisas da cultura brasileira, a primeira delas e que grande parte de nosso povo não tem o hábito de ler. Assim, o melhor procedimento do mundo torna-se o mais inoperante também. Tenho visto por ai verdadeiros tratados, bem escritos, bem ilustrados e trabalhados, mas que jamais foram capazes de chamar a atenção dos seus reais usuários. Portanto, é preciso definir com clareza quais operações ou ações carecem realmente de procedimentos. Escrever por escrever ou para atender qualquer exigência é perda de tempo e de recursos. Um bom método para discutir a real necessidade é discutir o assunto com um grupo, do qual obrigatoriamente devem fazer parte as pessoas as quais se destinam o procedimento a ser feito.Neste debate devem ser avaliados diversos pontos, entre eles a complexidade da atividade a ser executada, as implicações e conseqüências de uma desvio em alguma das fases, etc.

Escrever procedimentos deve sempre ser trabalho de equipe. Por mais trabalhoso que seja – o desenvolvimento conjunto implica numa espécie de compromisso por parte dos envolvidos o que já é um bom ponto de partida para a futura implantação. Obviamente desta equipe deve fazer parte o especialista em segurança e saúde no trabalho – não para posar como autoridade – mas para garantir que o texto esteja de acordo com as normas oficiais e técnicas. Sempre deve ser priorizada a iniciativa dos demais participantes, pois estes detêm a informação prática e também serão os que seguirão o que for definido. Grande parte do insucesso das normas diz respeito a forma vertical com que são elaboradas e implantadas – ou melhor – impostas.

Da equipe devem fazer parte representantes das áreas envolvidas na situação a ser normalizada. É comum notar que muitas equipes contam apenas com homens de produção deixando de lado por exemplo os integrantes da manutenção. Isso muitas vezes acaba inclusive implicando na geração de mais de um procedimento para o mesmo assunto – o que torna a situação ainda mais complexa e de difícil atendimento. Um bom procedimento deve contemplar todas as fases. Uma dica para a checagem quanto a isso é usar as cinco variáveis do processo (mäo de obra, máquinas, meio ambiente, método e materiais). Olhando-se assim, por exemplo podemos começar pelas necessidades da mão de obra envolvida (exames específicos, treinamentos, pausas, etc). Logo em seguida podemos focar a questão das máquinas e equipamentos (manutenções, preventivas, EPC, limpeza, etc). Passando ao meio ambiente podemos definir as questões de controles ambientais aplicáveis. Indo ao método podemos definir itens importantes para a segurança e ergonomia. Quando chegarmos aos materiais podemos definir inspeções prévias, aprovações para o caso de produtos químicos, etc.

Um ponto importante também a ser observado e a questão de possíveis pontos inter áreas ou departamentos. Não é incomum que situações de risco ou perigo sejam gerados em operações feitas em áreas anteriores do processo e que isso não esteja contemplado no estudo para elaboração ou mesmo no próprio procedimento. Quando este for o caso é essencial envolver no desenvolvimento do procedimento pessoas de outras áreas. Sempre – a difusão e debate sobre os riscos será muito favorável, mesmo que por fim opte-se por não emitir um procedimento.

Um procedimento que surja da real necessidade e que esteja escrito em linguagem acessível e a partir do debate com o envolvidos é sem sombra de dúvida um forte elemento prevencionista – além de ser um documento pleno caso seja preciso demonstrar gerenciamento de segurança para dado assunto. Quando há consciência quanto a real utilidade dos procedimentos estes melhoram em muito a comunicação e minimizam a ocorrência de enganos e falhas.

PROCEDIMENTOS NA PRÁTICA:

Vamos seguir agora passo a passo um roteiro para o desenvolvimento de um procedimento.:

1) Formação de um Grupo de Trabalho

Como já foi dito acima deverá ser composto conforme o assunto a ser tratado. Essencialmente devem fazer parte os representantes do SESMT, da manutenção, da produção e todas as demais áreas que tenham envolvimento com o problema e principalmente com a solução.

Ao formar a equipe – para agilizar os trabalhos – devem ser definidas algumas regras. A primeira delas diz respeito a duração das reuniões, que sugerimos jamais passe de 60 minutos.

Deve-se também definir um líder para orientar os trabalhos e se possível escolher alguma metodologia ou ferramenta para pelo menos no inicio garantir um formato lógico ao debate.

02) Discutir a intenção

É um bom começo – ou seja – fazer ou não um procedimento ? Este procedimento contribuirá para melhoria ? Será possível cumpri-lo ? enfim, conforme a realidade de cada empresa ou assunto.

03) Definir o alcance

Trata-se de uma parte bastante interessante. Cabe aqui a sensatez de notar os limites do grupo e sua ação, se este foi designado pela direção, etc.

Neste ponto é essencial que representantes de todas as áreas a serem alcançadas participem do debate. É muito ruim a cultura de elaborar procedimentos para que os outros cumpram sem que ao menos sejam consultados. Se o procedimento tiver alcance corporativo é preciso discuti-lo com responsáveis por outras fábricas/Unidades/Plantas.

04) Definir o objetivo

Agora que já temos uma equipe de trabalho, a certeza da necessidade do procedimento e o alcance do mesmo, vamos definir o foco do procedimento. Veja que este ponto é de suma importância pois é a partir da clareza deste que teremos ou não um procedimento acessível e interessante. Deve-se evitar a difusão de assuntos e temas, buscando a especificidade que no entanto, contemple todas as fases do processo ou ação.

Daqui sairemos com a definição “Procedimento para......

05) Descrição do procedimento

É a alma do trabalho. Na minha forma de trabalhar recomendo que seja trazido para a reunião uma bem elaborada análise de riscos do processo, operação ou ação que será objeto do procedimento. Neste momento não deve ser apresentado ao grupo as medidas de segurança propostas pois este irá discuti-las na seqüência. O profissional de segurança e saúde deve no entanto manter junto a si as necessidades mínimas e no futuro debate intervir sutilmente quando notar que algo ficou de fora. Com ela em mãos transcrever todas as fases num quadro e discutir exaustivamente com o grupo tanto a seqüência como cada uma das fases. Recomendo que esta fase do trabalho seja feita em mais de uma reunião – ou em quantos forem necessárias conforme a dimensão do estudo.

Nesta fase a participação do Líder do grupo é fundamental e será decisiva para obtenção de um número maior de informações fornecidas pelos participantes. 

Concluída a parte de definição das fases e hora de discutir as medidas de segurança. Por experiência própria posso dizer que este momento geralmente é surpreendente para nós que somos da área, pois as medidas propostas geralmente alcançam o mais alto nível e muitas vezes excedem nossas expectativas. Além disso o debate favorece o desenvolvimento da cultura e questionamento da prevenção e como já foi dito anteriormente – traduz-se em compromisso futuro.

Neste ponto é importante zelar pela simplicidade da linguagem. Há toda uma tendência de “escrever difícil para ficar bonito” – procedimento não é poesia !

06) Definir Responsabilidades

Já definimos acima o que deve ser feito, aqui iremos definir por quem será feito. Cuidado especial ao atribuirmos responsabilidades a funções ou áreas ausentes ou mesmo responsabilidades a funções/áreas que não tenham funcionalmente como assumi-las.

07) Citar referências

O procedimento ganhará força ou possibilitará consultas a fontes mais detalhadas quando citarmos as referências utilizadas para sua elaboração.

08) Glossário

Quando for impossível evitar termos técnicos ou que não seja usuais pelos empregados é essencial colocarmos um glossário contendo as palavras e termos que possam ser motivo de duvida.

09) Distribuidor

É preciso dizer quem irá receber o procedimento, geralmente feito pelas funções (Gerentes, Supervisores, Operadores, etc – desta área, ou de todas as áreas ou todas as fábricas, enfim, cada realidade é uma realidade diferente)

10) Anexos

Se há necessidade de planilhas, quadros, desenhos anexos, os mesmos devem ser citados no próprio procedimento em campo especifico.

11) Data de emissão/Responsável pela emissão/Data revisão

Todo procedimento deve ser datado e quando atualizado constar a data de revisão. Deve também ter o nome do(s) responsável(is) pela elaboração/revisão. 

OUTRAS RECOMENDAÇÕES

Escrito o procedimento é preciso agora pensar em duas coisas. Primeiramente na forma de distribuição. Difícil definir aqui uma forma única que se aplique a empresas que tenham 50 empregados e outra com 20 mil. Uma coisa é certa: deve ser feita contra assinatura. Hoje em dia, com o uso de meios de informática é comum vermos empresas onde a divulgação de procedimentos é feito via intranet. Acho interessante a modernidade, mas bem sei que nem todos acessam a intranet e que em muitas empresas nem mesmo a disponibilidade de terminais para todas as pessoas. Vale aqui citar que o desconhecimento de um procedimento de segurança muitas vezes e em certos casos pode significar perdas de vidas humanas. Portanto, não confie tanto na modernidade ainda engatinhando em muitas empresas. Um outro bom motivo para ter uma lista de assinaturas é poder depois enviar as atualizações caso sejam necessárias e ter certeza através que todos irão recebe-la.

Também não podemos deixar de pensar na implantação: isso mesmo: alguns procedimentos carecem de ações especificas para implantação, que vão desde simples reuniões até – em alguns casos mais complexos e bem sucedidos – apresentações teatrais. Fica claro que transferir informação para alguém carece de cuidados que devem ser bem analisados e talvez nestes residam os bons resultados.

Bem, de forma geral era isso que tinha a dizer. Espero que tenha contribuído para o desenvolvimento de bons procedimentos que com certeza irão contribuir para o desenvolvimento da prevenção de acidentes.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.
Técnico de Segurança do Trabalho.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE AGENTES AMBIENTAIS

Para efetivamente reduzir os inaceitáveis índices de acidentes e doenças do trabalho no País, é preciso agir com competência técnica e de maneira regular em cada ambiente laboral onde existam perigos, sejam eles provocados por agentes físicos, químicos, biológicos, mecânicos ou situações ergonômicas.
O Departamento Nacional do SESI apresenta esta publicação, Técnicas de Avaliação de Agentes Ambientais — Manual SESI, escrito pelos professores Mario Luiz Fantazzini e Maria Cleide Sanchez Oshiro, em iniciativa estruturada pela Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho. 
Trata-se de um texto preciso e detalhado construído no campo especializado da higiene ocupacional. Seus grandes capítulos — a exposição ao calor, as condições de iluminamento, o tratamento das radiações não ionizantes, a avaliação do ruído e das vibrações, a exposição a agentes químicos — têm uma abordagem centrada fundamentalmente no dia-a-dia do setor industrial. Ao ensinar a melhor forma de identificar eventuais problemas, o SESI facilita, em muito, a tarefa dos profissionais prevencionistas na busca de soluções adequadas para que tornem seus ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. Para acesso ao material clique no link abaixo.


Informativo de Segurança para usar na empresa



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Falta de governança e anistia para o maior desmatamento da Amazônia



Há sete anos, Leo Andrade Gomes foi considerado o indivíduo que mais desmatou a Amazônia, depois que 12.500 hectares de floresta foram derrubados na fazenda que estava em seu nome, no Pará. Após essa e outras infrações, veio a conta: mais de R$ 18 milhões em multas ambientais. E por que essa notícia agora, em 2012? Porque desde essa época, o governo não sabe de Leo: seu CPF foi cancelado pela Receita Federal e ele nunca foi encontrado pelo Ibama. Se está foragido ou se é um ‘fantasma’, ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: sua multa será perdoada pelo novo Código Florestal.
Aprovada em maio deste ano após uma pesada investida da bancada ruralista, a nova lei manteve a anistia a quem desmatou sem autorização até o ano de 2008. No caso de Leonardo, bastaria que ele se inscrevesse no Programa de Regularização Ambiental, criado pelo governo, e recuperasse as Áreas de Preservação Permanente (APP) e pronto: a dívida de R$ 18 milhões sumiria para sempre de sua vida.
“O caso ilustra bem o resultado do processo atropelado do Código Florestal: o crime compensou”, diz Danicley de Aguiar, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Quem desmatou será premiado às custas do dinheiro público, e isso é uma sinalização clara de que, no Brasil, vale a pena passar por cima das leis”.
A novela da desgovernança
O caso de Leo, porém, está longe de ter um ponto final. Quando seu nome despontou no ranking dos desmatadores do Ministério do Meio Ambiente e a multa milionária chegou, um advogado encaminhou, em nome do acusado, uma defesa ao Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). No documento, ele alega que na época do desmatamento Leo ainda não era proprietário da fazenda Cachoeira Alta, onde ocorreu a infração, e sim a senhora Elizabete Guimarães.
Também em nível federal, Elizabete defendeu-se da mesma forma: apresentou certidão de compra e venda, apontando que Leo já era dono da propriedade quando o desmatamento de 12 mil hectares foi feito. O jogo de empurra continuou sem solução, e a multa acabou ficando para o fazendeiro, que nunca pagou um centavo. Cinco anos depois, em setembro de 2011, porém, Elizabete recebeu da Secretaria de Meio Ambiente do Pará uma Licença de Atividade Rural para uma fazenda de mesmo nome – Cachoeira Alta. A fazenda, afinal, é dela? E a multa? Ninguém conseguiu decifrar. Tampouco o governo. 
Essa história evidencia não só a impunidade que corre solta na Amazônia. Mostra, também, a ausência, descontrole e falta de coordenação do Estado brasileiro na região. “Uma lei do desmatamento zero pode mudar a forma como o Brasil olha para a sua floresta. O país já desmatou mais do que o suficiente par se desenvolver, e agora tem a chance de mostrar ao mundo que consegue continuar crescendo, mas sem dizimar suas ricas florestas e fazendo um uso sustentável delas”, afirma Aguiar.
Fonte: Greenpeace Brasil